Origem dos antigos egípcios – por Cheiq Anta Diop

DIOP, Cheikh Anta. Origem dos antigos egípcios. In: História Geral da África, A África antiga, vol. II, São Paulo/Paris: Ática/UNESCO, Org. G. Mokhtar, 1983.

A aceitação geral da hipótese da origem monogenética e africana da humanidade suscitada pelos trabalhos do professor Leakey tornou possível colocar em termos totalmente novos a questão do povoamento do Egito, e mesmo do mundo. Há mais de 150 mil anos, a única parte do mundo em que viviam seres morfologicamente iguais aos homens de hoje era a região dos Grandes Lagos, nas nascentes do Nilo. Essa noção – e outras que não nos cabe recapitular aqui – constitui a essência do último relatório apresentado pelo dr. Leakey no VII Congresso Pan-Africano de Pré-História, em Adis Abeba, em 1971 1. Isso quer dizer que toda a raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua. Contra todas as expectativas e a despeito das hipóteses recentes, foi desse lugar que o homem partiu para povoar o resto do mundo. Disso resultam dois fatos de capital importância: (a) necessariamente, os primeiros homens eram etnicamente ho­mogêneos e negróides. A lei de Gloger, que parece ser aplicável também aos seres humanos, estabelece que os animais de sangue quente, desenvolvendo-se em clima quente e úmido, secretam um pigmento negro (melanina) 2. Por­tanto, se a humanidade teve origem nos trópicos, em torno da latitude dos Grandes Lagos, ela certamente apresentava, no início, pigmentação escura, e foi pela diferenciação em outros climas que a matriz original se dividiu, mais tarde, em diferentes raças; (b) havia apenas duas rotas através das quais esses primeiros homens poderiam se deslocar, indo povoar os outros continentes: o Saara e o vale do Nilo. É esta última região que será discutida aqui.
A partir do Paleolítico Superior até a época dinástica, toda a bacia do rio foi progressivamente ocupada por esses povos negróides.

Evidências da antropologia física sobre a raça dos antigos egípcios
Poder-se-ia pensar que, trabalhando com evidências fisiológicas, as descobertas dos antropólogos poderiam dissipar todas as dúvidas por fornecerem verdades confiáveis e definitivas. Isso não é, de maneira nenhuma, o que acontece: a natureza arbitrária dos critérios utilizados – para mencionarmos apenas um aspecto -, ao mesmo tempo que afasta qualquer possibilidade de uma conclusão ser aceita sem reservas, introduz tanta discussão supérflua entre os cientistas que às vezes nos perguntamos se a solução do problema não teria estado muito mais próxima se não tivéssemos o azar de abordá-lo sob esse ângulo.
No entanto, embora as conclusões desses estudos antropológicos se detenham um pouco aquém da realidade, elas são unânimes em mencionar a existência de uma raça negra desde as mais distantes épocas da Pré-História até o período dinástico. Não é possível, no presente capítulo, citar todas essas conclusões. Elas estão sumarizadas no Capítulo X de Histoire et Protohistoire d’Egipte (Institut d’Ethnologie, Paris, 1949), do dr. Emile Massoulard. Citaremos apenas alguns itens:
“Miss Fawcett acredita que os crânios de Negadah compõem uma coleção com homogeneidade suficiente para fundamentar a hipótese da existência de uma raça de Negadah. Quanto à altura total do crânio, à altura auricular, do comprimento e largura da face, ao comprimento do nariz, ao índice cefálico e ao índice facial, essa raça parece aproximar-se da raça negra; quanto à largura do nariz, à altura da órbita, ao comprimento do palato e ao índice nasal, ela parece mais próxima dos povos germânicos; assim, os negadenses pré-dinásticos provavelmente se assemelhavam, quanto a algumas de suas características, aos negros e, quanto a outras, às raças brancas” ( pp. 402-3 ).
É importante observar que os índices nasais dos etíopes e dos dravidianos os aproximariam dos povos germânicos, embora ambos pertençam a ra (???) perdeu-se

É importante observar que os índices nasais dos etíopes e dos dravidianos os aproximariam dos povos germânicos, embora ambos pertençam a raças negras.

Essas medidas – que deixariam abertas alternativas possíveis entre os dois extremos, representados pelas raças negra e germânica – dão uma idéia da elasticidade dos critérios empregados. Eis um exemplo:
“Tentando determinar com maior precisão a importância do elemento negróide nas séries de crânios de El-Amra, Abidos e Hou, Thomson e Ran­dall MacIver dividiram-nos em três grupos: 1. crânios negróides (aqueles com índice facial abaixo de 54 e índice nasal acima de 50, isto é, face curta e larga e nariz largo); 2. crânios não-negróides (índice facial acima de 54 e índice nasal abaixo de 50, face comprida e estreita e nariz estreito); 3. crânios intermediários (podem ser atribuídos a indivíduos dos dois primeiros grupos, com base no índice facial ou nas evidências referentes ao índice nasal, e ainda a indivíduos marginais a ambos os grupos). A proporção de negróides no início do período pré-dinástico parece ter sido de 24% de homens e 19% de mulheres, e, no final desse mesmo período, de 25% de homens e 28% de mulheres.
Kieth contestou o valor dos critérios utilizados por Thomson e Randall MacIver para distinguir os crânios negróides dos não-negróides. Sua opinião é de que, se os mesmos critérios fossem aplicados para estudar qualquer série de crânios ingleses contemporâneos, a amostra conteria aproximadamente 30% de tipos negróides” (pp. 420-1).
Pode-se afirmar também o reverso da proposição de Kieth, isto é, que, se o critério fosse aplicado aos 140 milhões de negros que hoje vivem na África negra, no mínimo 100 milhões deles apareceriam “branqueados”. Deve-se enfatizar também que a distinção entre “negróides”, “não-negróides” e “intermediários” não é clara: “não-negróide” não significa de raça branca, e “intermediário”, muito menos.
“Falkenburger retomou o estudo antropológico da população egípcia num trabalho recente, no qual analisa 1 787 crânios masculinos do período que se estende desde o Pré-Dinástico Antigo até nossos dias. Ele distingue quatro grupos principais” (p. 421).

A classificação dos crânios pré-dinásticos nesses quatro grupos dá, para o total do período pré-dinástico, os seguintes resultados: “36% de negróides, 33% de mediterrânicos, I 1 % de cro-magnóides e 20% de indivíduos que não se enquadram em nenhum desses grupos, mas se aproximam dos cro-mag­nóides ou dos negróides”.
A proporção de negróides é definitivamente mais alta do que a sugerida por Thomson e Randall MacIver, a qual, no entanto, Kieth considera muito elevada.
“Os números de Falkenburger refletem a realidade? Não é nossa tarefa decidir. Se estiverem corretos, a polulação pré-dinástica, longe de representar uma raça pura, como disse Elliot Smith, compreendia pelo menos três elementos raciais distintos: mais de um terço de negróides, um terço de mediterrâni­cos, um décimo de cro-magnóides e um quinto de indivíduos mestiços em vários graus” (p. 422).
O fundamental em todas essas conclusões é que, a despeito das discrepâncias que apresentam, o seu grau de convergência prova que a base da população egípcia no período pré-dinástico era negra. Assim, todas elas são incompatíveis com a teoria de que o elemento negro se infiltrou no Egito em período tardio. Pelo contrário, os fatos provam que o elemento negro era preponderante do princípio ao fim da história egípcia, particularmente se observarmos, uma vez mais, que “mediterrânico” não é sinônimo de “branco”; esta­ria mais próximo da “raça morena ou mediterrânica” de Elliot-Smith.
“Elliot-Smith classifica esses protoegípcios como um ramo do que ele chama raça morena, que corresponde à ‘raça mediterrânica ou euro-africana’ de Sergi” (p. 418). O termo “moreno” neste contexto refere-se à cor da pele e é simplesmente um eufemismo de negro 3.
Assim, fica evidente que toda a população egípcia era negra, com exceção de uma infiltração de nômades brancos no período protodinástico.
O estudo de Petrie sobre a raça egípcia revela um elemento classificatório possível muito fecundo, que não deixará de surpreender o leitor.

“Petrie ( . . . ) publicou um estudo sobre as raças do Egito nos períodos pré­-dinástico e proto-dinástico, trabalhando apenas com representações. Além da raça esteatopígica, distinguiu seis diferentes tipos: um tipo aquilino, representante de uma raça líbia de pele branca; um tipo ‘com barba trançada’, pertencente a uma raça invasora, vinda provavelmente das costas do mar Ver­melho; um tipo ‘com nariz pontudo’, proveniente, sem dúvida, do deserto arábico; um tipo ‘com nariz reto’, do Médio Egito; um tipo ‘com barba protu­berante’, do Baixo Egito; e um tipo ‘com nariz fino’, do Alto Egito. Segundo as representações, teriam assim existido sete tipos raciais diferentes no Egito durante os períodos que estamos considerando. Nas páginas seguintes, veremos que o estudo dos esqueletos parece conferir pouca validade a essas con­clusões” (p. 391) .
Esse modo de classificação dá uma idéia da natureza arbitrária dos critérios utilizados para definir as raças egípcias. Seja como for, é evidente que a antropologia está longe de ter estabelecido a existência de uma raça egípcia branca e, pelo contrário, tenderia a sugerir o oposto.

Nos manuais de maior divulgação, entretanto, a questão é suprimida: na maioria dos casos, afirma-se simples e claramente que os egípcios eram brancos, e o leigo fica com a impressão de que uma afirmação desse tipo deve necessariamente ter como base uma sólida pesquisa anterior. Mas, conforme se mostrou neste capítulo, essa pesquisa não existe. E, assim, gerações após gerações foram enganadas. Muitas autoridades no assunto contornam a dificuldade falando em brancos de pele vermelha e brancos de pele negra, sem que por isso se abale o seu senso de lógica.
“Os gregos chamam a África de Líbia, um nome equivocado ab initio, pois a África contém muitos outros povos além dos assim chamados líbios, que estão entre os brancos da periferia setentrional ou mediterrânica e, portanto, muito afastados dos brancos de pele morena ou vermelha) – os egípcios”. 4
Num livro didático destinado ao curso colegial, encontramos a seguinte frase: “Um negro se distingue menos pela cor da pele (pois existem ‘brancos’ de pele negra) do que por suas feições: lábios grossos, nariz chato…” 5 Apenas com tais distorções das definições básicas é que se pôde branquear a raça egípcia.
E importante ter em mente os exageros dos teóricos da antropossociolo­gia do século passado e do começo deste século, que, em suas microanálises fisionômicas, descobriram estratificações raciais até mesmo na Europa, e particularmente na França, onde, na verdade, havia um único povo, hoje praticamente homogêneo. 6 Atualmente, os ocidentais que valorizam sua coesão nacional evitam zelosamente examinar suas próprias sociedades sob a luz de hipóteses tão divisionistas, mas continuam, irrefletidamente, a aplicar os velhos métodos às sociedades não-européias.

As representações humanas do período proto-hístórico: seu valor antropológico


O estudo das representações humanas realizado por Flinders Petrie, num outro plano, demonstra que o tipo étnico era negro: de acordo com Fetrie, esses povos eram os Anu, cujo nome, que conhecemos desde a época proto­-histórica, era sempre “escrito” com três pilares, nas poucas inscrições subsis­tentes do final do IV milênio antes da era cristã. Os nativos do país são sempre representados com inconfundíveis emblemas de chefia, que não encon­tramos entre as raras representações das outras raças, cujos elementos apare­cem todos como estrangeiros servis, que chegaram ao vale por infiltração (cf. Tera Neter 7 e o rei Escorpião, que Petrie reúne num mesmo grupo: “O rei Escorpião pertencia à raça anu, já citada; além disso, adorava Min e Seti”) 8.
Como veremos adiante, Min, assim como os principais deuses do Egito, era chamado, na própria tradição egípcia, “o Grande Negro”.

Depois de fazer um apanhado dos vários tipos humanos estrangeiros que disputaram o vale com os negros nativos. Petrie descreve estes últimos, os Anu, nos seguintes termos:
“Além desses tipos, característicos do norte e do leste, existe a raça autóctone dos Anu, ou Annu (escrito com três pilares), povo que constituiu parte dos habitantes da época histórica. O assunto se complica e dá margem a dúvidas se incluirmos todos os nomes escritos com um único pilar; mas, considerando apenas a palavra Annu, escrita com três pilares, descobrimos que esse povo ocupava o sul do Egito e a Núbia; o nome também é utilizado no Sinai e na Líbia. Quanto aos habitantes meridionais do Egito, temos o documento essen­cial: um retrato do chefe Tera Neter, rudemente modelado em relevo em faiança verde vitrificada, encontrado no mais antigo templo de Abidos. O endereço precede o nome, nesse primitivo cartão de visita: ‘Palácio dos Anu na cidade de Hemen, Tera Neter’. Hemen era o nome do deus de Tuphium. Erment, do lado oposto, era o palácio dos Anu do Sul Annu Menti. A próxima localidade ao sul é Aunti (Gefeleyn) e, depois. Aunyt-Seni (Esna)” 9.

Amélineau arrola, em ordem geográfica, as cidades fortificadas construí­das ao longo do vale do Nilo pelos negros anu.
= Ant (Esna)
ou = An = “On” do Sul (hoje Hermonthis)
= Denderah, tradicionalmente, a cidade natal de Ísis
= Uma cidade também chamada “On”, no nomo de Tínis
ou = A cidade chamada “On” do Norte, a célebre Heliópolis
O ancestral comum dos Anu estabelecidos ao longo do Nilo era Ani ou An, nome determinado pela palavra(khet), o qual, desde as primeiras versões do Livro dos Mortos, é atribuído ao deus Osíris.
A esposa de , o deus Ani é a deusa Anet , que é também sua irmã, da mesmã forma que Isis é irmã de Osíris.
A identidade do deus An com Osíris foi demonstrada por Pleyte 10; deve­mos lembrar que Osíris é também cognominado o Anu: “Osíris Ani”. O deus Anu é representado ora pelo símbolo , ora pelo símbolo. As tribos Anuak, que hoje habitam o Nilo superior, teriam alguma relação com os antigos Anu? Pesquisas futuras trarão resposta a esta questão.
Petrie acredita ser possível distinguir entre o povo pré-dinástico, representado por Tera Neter e pelo rei Escorpião (que, já nessa época, é um faraó, como mostram os enfeites em sua cabeça) e um povo dinástico, que adorava o falcão e que provavelmente é representado pelos faraós Narmer 11, Khasekhem, Sanekhei e Zoser 12. Observando-se os rostos reproduzidos na ilustração, percebe-se facilmente que não existem diferenças étnicas entre os dois grupos e que ambos pertencem à raça negra.

O mural da tumba SD 63 (Sequence Date 63) de Hieracômpolis mostra os negros nativos subjugando os invasores estrangeiros, se aceitarmos a interpretação de Petrie: “Abaixo, temos a embarcação negra em Hieracômpolis, pertencente aos homens negros, que aparecem subjugando os homens vermelhos” 13.
O cabo de faca de Djebel el-Arak também mostra cenas de batalhas similares: “Há também combates em que homens negros dominam homens vermelhos” 14. Entretanto, o valor arqueológico desse objeto, que não foi encontrado in situ, mas em poder de um mercador, é menor do que o dos itens anteriores.
O que expusemos acima mostra que as representações dos homens do período proto-histórico, e mesmo do período dinástico, são absolutamente incompatíveis com a idéia de raça egípcia difundida entre os antropólogos ocidentais. Onde quer que o tipo racial autóctone esteja representado com alguma clareza, ele é nitidamente negróide. Em parte alguma elementos indo­-europeus ou semitas são representados como homens livres, nem mesmo como cidadãos comuns a serviço de um chefe local. Eles aparecem invariavelmente como estrangeiros submetidos. As raras representações encontradas trazem sempre marcas inequívocas de cativeiro: mãos atadas atrás das costas ou amarradas sobre os ombros 15. Uma estatueta protodinástica representa um prisioneiro indo-europeu com uma longa trança, de joelhos e as mãos atadas ao corpo. As características do próprio objeto mostram que ele devia ser o pé de um móvel e representava uma raça conquistada 16. A representação é, com freqüência, deliberadamente grotesca, como ocorre com outras figuras protodinásticas, mostrando indivíduos com o cabelo trançado à maneira que Petrie denomina rabo de porco (pigtail). Na tumba do rei Ka (I dinastia), em Abidos, Petrie encontrou uma plaqueta representando um indo-europeu cativo, acor­rentado, com as mãos atrás das costas. Elliot-Smith acha que o indivíduo representado é um semita 17

A época dinástica forneceu também os documentos reproduzidos nas figu­ras 4 e 5 das páginas 49 e 50, que mostram prisioneiros indo-europeus e semitas. Em contraposição, as feições tipicamente negróides dos faraós Narmer, I dinastia, fundador da linhagem faraônica, Zoser, III dinastia, em cuja época todos os elementos tecnológicos da civilização egípcia já eram evidentes, Quéops, o construtor da Grande Pirâmide, um tipo característico da região da atual República de Camarões 18, Mentuhotep, fundador da XI dinastia, negro retinto 19, Sesóstris I, a rainha Amósis Nefertári, e Amenófis I mostram que todas as classes da sociedade egípcia pertencem à mesma raça negra.
As figuras de 11 a 15 foram incluídas deliberadamente para contrastar tipos semitas e indo-europeus com as fisionomias bastante diferentes dos faraós negros e para mostrar claramente que não há traço de nenhum dos dois pri­meiros tipos na linhagem dos faraós, se excluirmos as dinastias estrangeiras (líbias e ptolomaicas).
É comum contraporem-se as negras da tumba de Horemheb ao tipo egípcio também representado. Na verdade, essa contraposição é falsa: é social e não étnica; há tanta diferença entre uma aristocrata senegalesa de Dacar e as camponesas da África antiga, de mãos calejadas e pés angulosos, quanto entre estas últimas e uma senhora egípcia das cidades da Antigüidade.
Existem duas variantes da raça negra:
– os negros de cabelos lisos, representados na Ásia pelos dravidianos e, na África, pelos núbios e os tubbou ou Tedda, todos com pele negro-azeviche; – os negros de cabelo crespo das regiões equatoriais.
Os dois tipos entraram na composição da população egípcia.

Teste de dosagem de melanina

Na prática, é possível determinar diretamente a cor da pele, e, portanto, a Filiação étnica dos antigos egípcios, através de análises microscópicas de laboratório; duvido que a perspicácia dos pesquisadores que se dedicaram à questão tenha ignorado essa possibilidade.
A melanina, substância química responsável pela pigmentação da pele, é, geralmente, insolúvel e preserva-se por milhões de anos na pele dos animais fósseis 20. Portanto há razões de sobra para que seja facilmente encontrada na pele das múmias egípcias, apesar da lenda persistente segundo a qual a pele das múmias, tingida pelo material de embalsamamento, já não é susce­tível de qualquer análise 21. Embora a melanina se localize principalmente na pele, os melanócitos que penetrarem a derme no nível da epiderme, mesmo onde esta última tenha sido praticamente destruída pelos materiais de embalsamamento, indicam um nível de melanina inexistente nas raças de pele branca. As amostras que eu mesmo analisei foram colhidas no laboratório de antropo­logia física no Museu do Homem, em Paris, das múmias provenientes das escavações de Marietta, no Egito 22. O mesmo método é perfeitamente utilizável para as múmias reais de Tutmés III, Séti I e Ramsés II, do Museu do Cairo, que estão em excelente estado de conservação. Há dois anos tenho pedido – ­em vão – ao curador do Museu do Cairo amostras similares para análise. Não seriam necessários mais do que alguns milímetros quadrados de pele para compor um espécime, com preparações de poucos [m de espessura e clareadas com benzoato de etila. Elas podem ser estudadas à luz natural ou sob luz ultravioleta, que torna os grãos de melanina fluorescentes. De qualquer forma, queremos simplesmente afirmar que a avaliação do nível de mela­nina através de exames de microscópio é um método de laboratório que nos permite classificar os antigos egípcios inquestionavelmente entre as raças negras.

Medidas osteológicas

Dentre os critérios aceitos pela antropologia física para a classificação das raças o das medidas osteológicas (osteometria) talvez seja o menos engana­dor (por oposição à craniometria) para distinguir um homem branco de um negro. Também segundo esse critério, os egípcios pertencem às raças negras. Tal estudo foi realizado pelo eminente sábio alemão Lepsius, no final do século XIX, e suas conclusões continuam válidas: os progressos metodológi­cos subseqüentes, no campo da antropologia física, não invalidaram em nada aquilo que se conhece como “cânone de Lepsius”, que estabelece, em núme­ros redondos, as proporções corporais do egípcio ideal, de braços curtos e tipo físico negróide ou negrito 23.
Grupos sangüíneos
E importante notar que, mesmo hoje, os egípcios, particularmente no Alto Egito, pertencem ao mesmo Grupo B que as populações da África ocidental, no litoral atlântico, e não ao Grupo A2, característico da raça branca antes de qualquer miscigenação 24. Seria interessante estudar a extensão da distribuição do Grupo A2 nas múmias egípcias, o que, aliás, já é possível realizar mediante as técnicas atuais.
A raça egípcia segundo os autores clássicos da Antigüidade
Para os escritores gregos e latinos contemporâneos dos antigos egípcios, a classificação física desses últimos não colocava problemas: os egípcios eram negros, de lábios grossos, cabelo crespo e pernas finas; será difícil ignorar ou subestimar a concordância entre os testemunhos apresentados pelos autores em referência a um fato físico tão evidente quanto a raça de um povo. Alguns dos testemunhos que se seguem são contundentes.

(a)    Heródoto, “o pai da História”, – 480 (?) a – 425.
Com relação à origem dos Kolchu 25, ele escreve:
“E, de fato, evidente que os colquídios são de raça egípcia (…) muitos egípcios me disseram que, em sua opinião, os colquídios eram descendentes dos soldados de Sesóstris. Eu mesmo refleti muito a partir de dois indicado­res: em primeiro lugar, eles têm pele negra e cabelo crespo (na verdade, isso nada prova, porque outros povos também os têm) e, em segundo lugar – e este é um indicador mais consistente – os egípcios e os etíopes foram os únicos povos, de toda a humanidade, a praticar a circuncisão desde tempos imemoriais. Os próprios fenícios e sírios da Palestina reconhecem que aprenderam essa prática com os egípcios, enquanto os sírios do rio Termodon e da região de Pathënios e seus vizinhos, os macrons, dizem tê-la aprendido, recentemente, com os colquídios. Essas são as únicas raças que praticam a circuncisão, e deve-se observar que a praticam da mesma maneira que os egípcios. Quanto aos próprios egípcios e aos etíopes, eu não poderia afirmar quem ensi­nou a quem essa prática, pois ela é, evidentemente, muito antiga entre eles. Quanto ao fato de o costume ter sido aprendido através dos egípcios, uma outra prova significativa para mim é o fato de que todos os fenícios que comerciam com a Grécia param de tratar suas partes pudendas conforme a maneira egípcia e não submetem seus filhos à circuncisão” 26.

Heródoto retorna várias vezes ao caráter negróide dos egípcios, e a cada vez o utiliza como dado de observação para discutir teses mais ou menos complexas. Assim, para provar que o oráculo grego de Dodona, no Épiro, era de origem egípcia, um de seus argumentos é o seguinte: “e, quando eles acrescentam que a pomba era negra, dão a entender que a mulher era egípcia”. 27 As pombas em questão – na verdade, eram duas, de acordo com o texto – simbolizam duas mulheres egípcias, que se dizia terem sido trazidas de Tebas, no Egito para fundar oráculos respectivamente na Grécia (Dodona) e na Líbia (oásis de Júpiter Amon). Heródoto não partilha da opinião de Anaxágoras segundo o qual as enchentes do Nilo seriam causadas pelo degelo nas montanhas da Etiópia 28. Apoiava-se no fato de que na Etiópia não chove nem neva, “e lá o calor torna os homens negros” 29.
b) Aristóteles, -384 a -322, cientista, filósofo e tutor de Alexandre, o Grande.
Num de seus trabalhos menores, Aristóteles tenta, com surpreendente ingenuidade, estabelecer uma correlação entre a natureza física e a natureza moral dos seres vivos, e nos fornece evidências sobre a raça egípcio-etíope que confirmam o testemunho de Heródoto. Segundo Aristóteles, “Aqueles que são muito negros são covardes como, por exemplo, os egípcios e os etíopes. Mas os excessivamente brancos também são covardes, como podemos ver pelo exem­plo das mulheres; a coloração da coragem está entre o negro e o branco” 30.
(c) Luciano, escritor grego, + 125 (?) a + 190.

O testemunho de Luçiano é tão explícito quanto os de Heródoto e Aris­tóteles. Ele apresenta dois gregos, Licino e Timolaus, que iniciam um diá­logo:
“Licino [descrevendo um jovem egípcio]: – Este rapaz não é simplesmente preto; ele tem lábios grossos e pernas muito finas (. . .) seu cabelo trançado atrás mostra que não é um homem livre.
Timolaus: – Mas no Egito esse é um sinal das pessoas muito bem-nascidas, Licino. Todas as crianças nascidas livres trançam o cabelo até atingirem a idade adulta. Esse é um costume exatamente oposto ao dos nossos ancestrais, que achavam conveniente, para os velhos, prender o cabelo com um broche de ouro, para mantê-lo em ordem” 31.
(d) Apolodoro, século I antes da era cristã, filósofo grego.
“Egito conquistou o país dos homens de pés negros e chamou-o Egito, a partir de seu próprio nome.” 32
(e) Esquilo, – 525(?) a – 456, poeta trágico e criador da tragédia grega.
Em As Suplicantes, Dânaos, fugindo com suas filhas, as Danaides, e per­seguido por seu irmão, Egito, e os filhos deste, os Egitíados, que querem desposar suas primas à força, sobe em uma colina, olha para o mar e descreve nos seguintes termos os Egitíados que remavam ao longe: “Posso ver a tripulação com seus membros negros e suas túnicas brancas” 33.
Uma descrição similar do tipo egípcio aparece novamente poucas linhas abaixo, no verso 745.
(f) Aquiles Tácio de Alexandria.
Compara os guardadores de gado do Delta aos etíopes e explica que são escuros, como mestiços.
(g) Estrabão, – 58 a aproximadamente + 25.
Estrabão visitou o Egito e quase todos os países do Império Romano. Concorda com a teoria de que os egípcios e os Kolchu são da mesma raça, mas sustenta que as migrações para a Etiópia e Cólquida vieram apenas do Egito.

“Os egípcios estabeleceram-se na Etiópia e na Cólquida.” 34 Não há qual­quer dúvida sobre a concepção de Estrabão a respeito da raça egípcia, pois ele procura, em outra parte, explicar por que os egípcios são mais escuros do que os hindus, circunstância que permitiria a refutação, se necessário, de qual­quer tentativa de confundir “a raça hindu e a raça egípcia”.
(h) Diodoro da Sicília, aproximadamente – 63 a + 14, historiador grego e contemporâneo de César Augusto.
Segundo Diodoro, provavelmente foi a Etiópia que colonizou o Egito (no sentido ateniense do termo, significando que, devido à superpopulação, parte do povo emigrou para o novo território).
“Os etíopes dizem que os egípcios são uma de suas colônias” 35, que foi levada para o Egito por Osíris. Eles afirmam que, no começo do mundo, o Egito era apenas um mar, mas que o Nilo, transportando em suas enchentes grandes quantidades de limo da Etiópia, terminou por colmatá-lo e tornou-o parte do continente (…) Acrescentam que os egípcios receberam deles como de seus autores e ancestrais a maior parte de suas leis.” 36
(i) Diógenes Laércio.
Sobre Zenão, fundador da escola estóica (- 333 a – 261), Diógenes escreveu o seguinte: “Zenão, filho de Mnaseas ou Demeas, era natural do Cício, em Chipre, uma cidade grega que havia recebido alguns colonos fenícios”. Em suas Vidas, Timóteo de Atenas descreve Zenão como tendo o pescoço torcido. Apolônio de Tiro diz que ele era frágil, muito alto e negro, daí o fato, citado por Crisipo no Primeiro Livro de seus Provérbios de algu­mas pessoas o chamarem “broto de videira egípcio” 37.

(j) Amiano Marcelino, aproximadamente + 330 a + 400, historiador latino e amigo do imperador Juliano.
Com ele, atingimos o ocaso do Império Romano e o fim da Antigüi­dade clássica. Quase nove séculos se passaram entre o nascimento de Ésquilo e Heródoto e a morte de Amiano Marcelino, nove séculos durante os quais os egípcios, em meio a um mar de raças brancas, se miscigenaram constante­mente. Pode-se dizer sem exagero que, no Egito, uma casa em cada dez incluía um escravo branco, asiático ou indo-europeu 38.
É notável que, apesar de sua intensidade, a miscigenação não tenha alte­rado significativamente as constantes raciais. De fato, Amiano Marcelino es­creve: “. . . a maior parte dos homens do Egito são morenos ou negros, com uma aparência descarnada” 39. Ele também confirma o depoimento já citado sobre os Kolchu: “Além destas terras está a pátria dos Camarita 40, e o Fásis, com sua correnteza veloz, banha o país dos Kolchu, uma antiga raça de origem egípcia” 41.
Esta rápida revisão dos testemunhos apresentados pelos antigos escritores greco-latinos sobre a raça egípcia mostra que o grau de concordância entre eles é impressionante, constituindo um fato objetivo difícil de subestimar ou ocultar. A moderna egiptologia oscila constantemente entre esses dois pólos.
Foge à regra o testemunho de um cientista honesto, Volney, que viajou pelo Egito entre 1783 e 1785 – isto é, em pleno período da escravidão negra – e fez as seguintes observações sobre os coptas (representantes da verda­deira raça egípcia, aquela que produziu os faraós).

“Todos eles têm faces balofas, olhos inchados e lábios grossos, em uma palavra, rostos realmente mulatos. Fiquei tentado a atribuir essas características ao clima, até que, visitando a Esfinge e olhando para ela, percebi a pista para a solução do enigma. Completando essa cabeça, cujo traços são todos caracteristicamente negros, lembrei-me da conhecida passagem de Heródoto: “De minha parte, considero os Kolchu uma colônia do Egito porque, como os egípcios, eles têm a pele negra e o cabelo crespo”. Em outras palavras, os antigos egípcios eram verdadeiramente negros, da mesma matriz racial que os povos autóctones da África; a partir desse dado, pode-se explicar como a raça egípcia, depois de alguns séculos de miscigenação com sangue romano e grego, perdeu a coloração original completamente negra, mas reteve a marca de sua configuração. É mesmo possível aplicar essa observação de maneira ampla, e afirmar, em princípio, que a fisionomia é uma espécie de documento, utilizável em muitos casos para discutir ou elucidar os indícios da história sobre a origem dos povos…”
Depois de ilustrar esta proposição com o caso dos normandos, que, nove­centos anos depois da conquista da Normandia, ainda se assemelham aos dinamarqueses, Volney acrescenta:
“Mas, voltando ao Egito, sua contribuição para a história fornece muitos temas para a reflexão filosófica. Que temas importantes para meditação: a atual barbárie e ignorância dos coptas, considerados como tendo nascido do gênio dos egípcios e dos gregos; o fato de esta raça de negros, que hoje são escravos e objeto de nosso menosprezo, ser a mesma a quem devemos nossa arte, nossas ciências e mesmo o uso da palavra escrita; e, finalmente, o fato de, entre os povos que pretendem ser os maiores amigos da liberdade e dahumanidade ter-se sancionado a escravidão mais bárbara e questionado se os negros teriam cérebros da mesma qualidade que os cérebros dos brancos!” 42

A esse depoimento de Volney, Champollion-Figeac, irmão de Cham­pollion, o Jovem, iria responder nos seguintes termos: “Os dois traços físicos apresentados – pele negra e cabelo crespo – não são suficientes para rotular uma raça como negra, e a conclusão de Volney quanto à origem negra da antiga população do Egito é nitidamente forçada e inadmissível”. 43
Ser preto da cabeça aos pés e ter cabelo crespo não é suficiente para fazer de um homem um negro! Isso nos mostra o tipo de argumentação cap­ciosa a que a egiptologia tem recorrido desde seu nascimento como ciência. Alguns estudiosos sustentam que Volney estava tentando desviar a discussão para um plano filosófico. Mas basta reler Volney: ele simplesmente faz inferências a partir de fatos materiais brutos que se impõem como provas aos seus olhos e à sua consciência.

Os egípcios vistos por si mesmos
Não é perda de tempo conhecer o ponto de vista dos principais envolvidos. Como os antigos egípcios viam a si mesmos? Em que categoria étnica se colocavam? Como denominavam a si mesmos? A língua e a literatura que os egípcios da época faraônica nos deixaram fornecem respostas explícitas a essas questões, que os acadêmicos insistem em subestimar, distorcer e “interpretar”.
Os egípcios tinham apenas um termo para designar a si mesmos: = kmt = “os negros” (literalmente) 44. Esse é o termo mais forte existente na língua faraônica para indicar a cor preta; assim, é escrito com um hieróglifo representando um pedaço de madeira com a ponta carbonizada, e não com escamas de crocodilo 45. Essa palavra é a origem etimológica da conhecida raiz kamit, que proliferou na moderna literatura antropológica. Dela deriva, provavelmente, a raiz bíblica kam. Portanto foi necessário distorcer os fatos para fazer com que essa raiz atualmente signifique “branco” em egiptologia, enquanto, na língua-mãe faraônica de que nasceu, significava “preto­-carvão”.
Na língua egípcia, o coletivo se forma a partir de um adjetivo ou de um substantivo, colocado no feminino singular. Assim, kmt, do adjetivo = km = preto, significa rigorosamente “negro”, ou, pelo menos, “homens pretos”. O termo é um coletivo que descrevia, portanto, o conjunto do povo do Egito faraônico como um povo negro.

Em outras palavras, no plano puramente gramatical, quando, na língua faraônica, se deseja indicar “negros”, não se pode usar nenhuma outra palavra senão a que os egípcios usavam para designar a si mesmos. Além disso, a língua nos oferece um outro termo, = kmtjw = os negros, os homens pretos (literalmente) = os egípcios, opondo-se a “estrangeiros”, que vem da mesma raiz, km, e que os egípcios também utilizavam para descrever a si mesmos como um povo distinto de todos os povos estrangeiros 46. Esses são os únicos adjetivos de nacionalidade usados pelos egípcios para designarem a si mesmos, e ambos significam “negro” ou “preto” na língua faraônica. Os acadêmicos raramente os mencionam ou, quando o fazem, traduzem-nos por eufemismos, tais como “os egípcios”, nada dizendo sobre seu sentido etimológico 47. Eles preferem a expressão = Rmt kmt = os homens do país dos homens negros ou os homens do país negro.
Em egípcio, as palavras são normalmente seguidas de um determinante, indicando seu sentido exato; para essa expressão particular, os egiptólogos sugerem que = km = preto e que a cor qualifica o determinanteque o segue e que sígnifica “país”. Assim, eles alegam que a tradução deveria ser “a terra negra”, a partir da cor do limo ou “o país negro”, e não “o país dos homens negros”, como tenderíamos a interpretar hoje em dia, tendo em mente a África branca e a África negra. Talvez estejam certos; mas, se apli­carmos essa regra rigorosamente a = kmit, seremos obrigados a “admitir que aqui o adjetivo ‘preto’ qualifica o determinante, que significa todo o povo do Egito, representado pelos dois símbolos de ‘homem’ e ‘mu­lher’ e os três traços embaixo, designando plural”. Assim, se é possível levan­tar alguma dúvida sobre a expressão = kme não é possível fazê-lo no caso dos dois adjetivos de nacionalidade kmt e kmtjw, a menos que se estejam escolhendo os argumentos sem nenhum critério.

É interessante notar que os antigos egípcios nunca tiveram a idéia de aplicar esses qualificativos aos núbios e a outras populações da África, para distingui-las deles mesmos, da mesma forma que um romano, no apogeu do Império, não usaria um adjetivo de “cor” para se distinguir dos germânicos da outra margem do Danúbio, que eram da mesma matriz étnica mas se encontravam ainda num estádio de desenvolvimento pré-histórico.
Nos dois casos, ambos os lados pertenciam ao mesmo universo, em termos de antropologia física; portanto os termos usados para distingui-los relacionavam-se ao grau de civilização ou tinham sentido moral. Para o romano civilizado, os germânicos, da mesma matriz étnica, eram bárbaros. Os egípcios usavam a expressão= nahas para designar os núbios; e nahas 48, em egípcio, é o nome de um povo, sem conotação de cor. Trata-se de um equívoco deliberado traduzi-lo como “negro”, como aparece em quase todas as publicações atuais.

Os epítetos divinos
Finalmente, preto ou negro é o epíteto divino invariavelmente utilizado para designar os principais deuses benfeitores do Egito, enquanto os espíritos malévolos são qualificados como desrêt = vermelho. Sabemos que, entre os africanos, esse termo se aplica às nações brancas; é quase certo que isso seja verdade também para o Egito mas, neste capítulo, quero ater-me ao plano dos fatos menos sujeitos a controvérsias.
Os deuses recebiam os, seguintes epítetos:
= kmwr = o “Grande Negro” para Osíris 49;
= km = negro + o nome do deus 50;
= kmt = negro + o nome da deusa 51.

O qualificativo km (negro), , é aplicado a Hátor, Apis, Min, Tot, etc. setkmt = a mulher negra = Ísis 52. Por outro lado, seth, o deserto estéril, é qualificado pelo termo desrêt = vermelho 53. Os animais selvagens, que Hórus combateu para criar a civilização, são qualificados como desrêt = vermelhos, especialmente o hipopótamo 54. Analogamente, os seres malévolos expulsos por Tot são des = = desrtjw = os verme­lhos. Esse termo é o inverso gramatical de Kmtjw, e sua construção segue a mesma regra que a da formação de nisbés.

Testemunho da Bíblia
A Bíblia nos diz: “…os filhos de Cam [foram] Cush, e Mizraim (isto é, Egito), e Fut, e Canaã. E os filhos de Cush, Saba, e Hevila, e Sabata, e Regna, e Sabataca” 55.
De maneira geral, toda a tradição semítica (judaica e árabe) classifica o antigo Egito entre os países dos negros.
A importância desses depoimentos não pode ser ignorada, porque os judeus eram povos que viviam lado a lado com os antigos egípcios e, algumas vezes, em simbiose com estes, e nada tinham a ganhar apresentando uma falsa imagem étnica dos mesmos. Da mesma forma, neste caso não se sustenta a noção de uma interpretação errônea dos fatos 56.

Dados culturais
Dentre os inúmeros traços culturais idênticos documentados no Egito e na África negra dos nossos dias, vamos referir-nos apenas à circuncisão e ao totemismo.
Segundo o excerto de Heródoto citado anteriormente, a circuncisão é de origem africana. A arqueologia confirmou a opinião do Pai da História: Elliot-Smith pôde comprovar, a partir do exame de múmias bem conservadas, que a circuncisão já era praticada, entre os egípcios, em tempos que remontam à era proto-histórica 57, isto é, a antes de – 4000.
O totemismo egípcio manteve sua vitalidade até o período romano 58, e Plutarco também o menciona. As pesquisas de Amélineau 59, Loret, Moret e Adolphe Reinach demonstraram claramente a existência de um sistema totêmico no Egito, refutando os defensores da tese da zoolatria.
“Se reduzirmos a noção de totem à de um fetiche, geralmente animal, representando uma espécie com a qual a tribo acredita ter laços especiais, renovados periodicamente, e que é carregado para a batalha como um estandarte; se aceitarmos essa definição de totem, mínima mas adequada, pode-se dizer que não há outro país onde o totemismo tenha tido um reinado mais brilhante do que no Egito, e nenhum outro lugar onde ele possa ser mais bem estudado” 60

 

Afinidade lingüística
O walaf 61, língua senegalesa falada no extremo oeste da África, na costa atlântica, é, talvez, tão próxima do egípcio antigo quanto o copta. Recentemente foi feito um estudo exaustivo sobre essa questão 62. Neste capítulo, apresenta­mos apenas o suficiente para mostrar que o parentesco entre as línguas do antigo Egito e as da África não é uma suposição, mas um fato demonstrável e impossível de ser ignorado pelos círculos acadêmicos.
Como veremos, o parentesco é de natureza genealógica.

Egípcio Copta Walaf
= kef = agarrar, pegar, despojar (de alguma coisa) 63 (dialeto saídico) keh = domesticar 64 Kef = apanhar uma presa
PRESENTE PRESENTE PRESENTE
kef i keh kef na
kef ek keh ek kef nga
kef et keh ere kef na
kef ef kef ef
kef es keh es kef ef }na
kef es
kef n keh en kef nanu
kef ton keh etetû kef ngen
kef sen 65 keh ey kef nanu

PASSADO PASSADO PASSADO
kef ni keh nei kef (on) na
kef (o) nek keh nek kef (on) nga
kef (o) net keh nere kef (on) na
kef (o) nef keh nef kef (on) ef na
kef (o) nes keh nes kef (on) es
kef (o) nen keh nen kef (on) nanu
kef (o) n ten keh netsten kef (on) ngen
kef (o) n sen 66 keh ney 67 kef (on) na^nu

Egípcio – Walaf
= feh = partir feh = partir, precipitadamente

Temos as seguintes correspondências entre as formas verbais, com identidade ou semelhança de significados: todas as formas verbais egípcias, com exceção de duas também são encontradas em walaf.

EGÍPCIO WALAF
{ feh-ef { feh-et
feh-es feh-es
{ feh-n-ef { feh-ôn-et
feh-n-es feh-ôn-es
feh-w feh-w
{ feh-w-ef { feh-w-ef
feh-w-es feh-w-es
{ feh-w-n-ef { fe-w-ôn-ef
feh-w-n-es fe-w-ôn-es
{ feh-in-ef { feh-il-ef
feh-in-es feh-il-es

EGÍPCIO WALAF
= mer = amar mar = lamber 68

{ mer-ef { mar-ef
mer-es mar-es
{ mer-n-ef { mar-ôn-ef
mer-n-es mar-ôn-es
mer-w mar-w
{ mer-w-ef { mar-w-ef
mer-w-es mar-w-es
{ mer-w-n-f { mar-w-ôn-ef
mer-w-n-es mar-w-ôn-es
{ mer-in-f { mar-il-ef
mer-in-es mar-il-es
{ mer-t-ef { mar-t-ef
mer-t-es mar-t-es
{ mer-tw-ef { mar-tw-ef
mer-tw-es mar-tw-es
{ mer-tyfy { mar-at-ef
mer-t-tysy mar-at-es
{ mar-aty-sy
mar-aty-sy
mer-kwi mari-kw
{ mer-y-ef { mar-y-ef
mer-y-ef mar-y-es
{ mer-n-tw-ef { mar-an-tw-ef
mer-n-tw-es mar-an-tw-es
{ mar-tw-ôn-ef
mar-tw-ôn-es

Essas correspondências fonéticas não podem ser atribuídas a afinidades elementares ou a leis gerais do espírito humano, visto tratar-se de correspondências regulares, em pontos relevantes, que se estendem por todo o sistema: os demonstrativos, nas duas línguas, e as formas verbais. Foi através da aplicação de leis como essas que se tornou possível demonstrar a existência da família linguística indo-européia.
A comparação poderia ir ainda mais longe, mostrando que a maioria dos fonemas se mantêm inalterados nas duas línguas. As poucas mudanças de grande interesse são as seguintes:

(a) A correspondência n (E) è l (W)

Ainda é cedo para se falar com precisão sobre os acompanhamentos vocá­licos dos fonemas egípcios. Abre-se, porém, um caminho para a redescoberta do vocalismo do antigo Egito a partir de estudos comparativos com outras línguas da África.

Conclusão
A estrutura da realeza africana, em que o rei é morto, real ou simbolicamente, depois de um reinado de duração variável – em torno de oito anos -, lembra a cerimônia de regeneração do faraó, através da festa de Sed. Os ritos de circuncisão já mencionados, o totemismo, as cosmogonias, a arquitetura, os instrumentos musicais, etc. também são reminiscências do Egito na cultura da África Negra 70. A Antigüidade egípcia é, para a cultura africana, o que é a Antigüidade greco-romana para a cultura ocidental. A constituição de um corpus de ciências humanas africanas deve ter isso como base.
Çompreende-se como é difícil escrever um capítulo como este numa obra deste gênero, onde o eufemismo e a transigência via de regra, prevalecemcem. Por isso, na tentativa de evitar o sacrifício da verdade científica, insistimos na realização de três sessões preliminares à preparação deste volume o que foi aceito na sessão plenária realizada em 1971 71. As primeiras duas sessões levaram à realização do simpósio do Cairo, de 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 1974 72. Gostaria de mencionar algumas passagens do relatório desse simpósio. O professor Vercoutter, que fora encarregado pela Unesco de escrever o relatório preliminar, reconheceu, depois de uma discussão exaustiva, que a idéia convencional de que a população egípcia se dividia eqüitativamente em brancos, negros e mestiços não podia ser mantida:
“O professor Vercoutter concordou que não se deve tentar estimar porcentagens; elas nada significariam na medida em que não se dispõe de dados estatísticos confiáveis para calculá-las”.
Sobre a cultura egípcia consta no relatório:
“O professor Vercoutter observou que, de seu ponto de vista, o Egito era africano quanto à escrita, à cultura e à maneira de pensar”
O professor Leclant, por sua vez, “reconheceu o mesmo caráter africano no temperamento e maneira de pensar egípcios”.

Quanto à lingüística, afirma-se no relatório que “este item, ao contrário dos outros discutidos anteriormente, revelou um alto grau de concordância entre os participantes. O relatório elaborado pelo professor Diop e o relatório do professor Obenga foram considerados muito construtivos”.
Da mesma maneira, o simpósio rejeitou a idéia de que o egípcio faraônico era uma língua semítica. “Abordando questões mais amplas, o professor Sau­neron chamou a atenção para o interesse do método sugerido pelo professor Obenga, seguindo o professor Diop. O egípcio manteve-se como uma língua estável por um período de, pelo menos, 4 500 anos. O Egito situa-se no ponto de convergências externas, e seria de se esperar, portanto, que se fizessem em­préstimos de outras línguas; mas as raízes semíticas se reduzem a algumas cen­tenas, para um total de muitos milhares de palavras. A língua egípcia não pode ser isolada de seu contexto africano, e sua origem não pode ser total­mente explicada a partir das línguas semíticas. Portanto é natural que se espere encontrar na África línguas aparentadas ao egípcio”.
A relação genética – isto é, não acidental – entre o egípcio e as lín­guas africanas foi reconhecida: “O professor Sauneron observou que o método utilizado era muito interessante, uma vez que a similaridade entre os sufixos dos pronomes da terceira pessoa do singular no egípcio antigo e na língua walaf não poderia ser mera casualidade; ele espera que se tente no egípcio antigo e na língua walaf reconstituir uma língua paleoafricana, tomando como ponto de partida as línguas atuais”.

Na conclusão geral do relatório, afirmava-se: “a despeito das especifica­ções constantes do texto preparatório distribuído pela Unesco, nem todos os participantes prepararam comunicações comparáveis às dos professores Cheikh Anta Diop e Obenga, meticulosamentc elaboradas. Conseqüentemente, houve uma considerável falta de equilíbrio nas discussões”.
Assim, escreveu-se no Cairo uma nova página da historiografia africana. O simpósio recomendou que se fizessem novos estudos sobre o conceito de raça. Tais estudos têm sido realizados desde então, mas não trouxeram nada de novo à discussão histórica. Dizem-nos que a biologia molecular e a genética reconhecem apenas a existência de populações, e que o conceito de raça já não tem qualquer significado. No entanto, sempre que aparece alguma questão sobre a transmissão de doenças hereditárias, o conceito de raça, no sentido mais clássico do termo, reaparece, pois a genética nos ensina que “a anemia falciforme ocorre apenas entre os negros”. A verdade é que todos estes “antropólogos” já esquematizaram em suas mentes as conclusões deriva­das do triunfo da teoria monogenética da humanidade, sem ousar dizê-lo expli­citamente, pois, se a humanidade teve origem na África, foi necessariamente negróide antes de se tornar branca através de mutações e adaptações, no final da última glaciação na Europa, no Paleolítico Superior. E agora compreen­de-se muito melhor por que os negróides grimaldianos ocuparam a Europa 10 mil anos antes do aparecimento do Homem de Cro-Magnon, protótipo da raça branca (por volta de – 20000).

O ponto de vista ideológico também é evidente em estudos aparentemente objetivos. Na história e nas relações sociais, o fenótipo – isto é, o indivíduo ou o povo tais como são percebidos – é o fator dominante, em oposição ao genótipo. A genética atual nos autoriza a imaginar um Zulu com o “mesmo” genótipo de Vorster. Isso significa que a história que testemunhamos colo­cará esses dois fenótipos – isto é, os dois indivíduos – no mesmo nível em todas as suas atividades nacionais e sociais? Certamente não – a oposição continuará sendo étnica, e não social. Este estudo torna necessário que se reescreva a história da humanidade a partir de um ponto de vista mais científico, levando em conta o componente negro-africano, que foi, por longo tempo, preponderante. Assim, é, doravante, possível constituir um corpus de ciências humanas negro-africanas apoiado em bases históricas sólidas, e não suspenso no ar. Finalmente, se é fato que só a verdade é revolucionária, deve-se acrescentar que só um rapprochement realizado com base na verdade será dura­douro. Não se contribui para a causa do progresso humano lançando um véu sobre os fatos.
A redescoberta do verdadeiro passado dos povos africanos não deverá ser um fator de divisão, mas contribuir para uni-los, todos e cada um, estrei­tando seus laços de norte a sul do continente, permitindo-lhes realizar, juntos, uma nova missão histórica para o bem da humanidade, e isto em consonância com os ideais da Unesco 73.

Texto extraído de
A África Antiga/ coordenador do volume G. Mokhtar; (tradução Carlos Henrique Davidoff… et al.). – São Paulo: Ática (Paris): Unesco; 1983.
(História Geral da África, v.2).
Acima do título: Comitê Científico Internacional para a Redação de uma História Geral da Áftica (Unesco).

 

NOTAS
1 PROCEEDINGS OF THE SEVENTH PAN-AFRICAN CONGRESS OF PRE-HISTORY AND QUARTERNARY STUDIES, Dec. 1971. È
2 MONTAGU, M. F. A. 1960, p. 390. È
3 Pelo método descrito pode-se avançar o estudo da pigmentação dessa raça. De fato, ELLIOT-SMITH muitas vezes encontrou fragmentos de pele nos corpos datando de época em que os métodos de mumificação que causavam a deterioração da pele ainda não estavam em uso. È
4 PEDRALS, D. P. de 1950, p. 6. È
5 GEOGRAPHIE. Classe de 5.ª, 1950. È
6 Em seu Lutte dês races (1883), L. GLUMPOVICZ afirma que as diferentes classes que formam um povo sempre representam diferentes raças, das quais uma estabeleceu sua dominação sobre as outras através da conquista. G. DE LAPOUGE, em um artigo publicado em 1897, postula nada menos do que “leis fundamentais da antropossociologia”, das quais podemos citar algumas que são típicas: a “lei da distribuição da riqueza” postula que, em países de população mista alpino-européia, a riqueza cresce em proporção inversa ao índice cefálico; a “lei dos índices urbanos” , destacada por AMMON e ligada à pesquisa que realizou entre os prisioneiros de Badener, afirma que a presença de dolicocefalia entre os habitantes das cidades é maior do que entre os habitantes da zona rural adjacente; a “lei da estratificação” foi formulada nos seguintes termos: “em cada localidade, o índice cefálico é tanto menor, e a proporção de dolicocefalia é tanto maior, quanto mais alta é a classe social”. Em seu Séléctions Sociales, o mesmo escritor não hesita em afirmar que “a classe dominante no período feudal pertence quase que exclusivamente à variedade Homo europaeus, de maneira que não é por mero acaso que os pobres ocupam as baixas posições na escala social, mas por sua inferioridade congênita”.
“Vemos, portanto, que o racismo alemão não inventou nada de novo quando Alfred Rosenberg afirmou que a Revolução Francesa deve ser considerada como uma revolta dos braquicéfalos de matriz racial alpina contra os dolicocéfalos de raça nórdica.” CUVILLIER, A. p. 155. È

36 DIODORO. História Universal. Livro III. A antiguidade da civilização etíope é atestada pelo mais antigo e respeitado escritor grego, Homero, tanto na Ilíada como na Odisséia: “Hoje, Júpiter, seguido por todos os deuses, recebe o sacrifício dos etíopes” (Ilíada. I, 423). È
37 DIÓGENES LAÉRCIO. Livro VII, I. È
38 Os notáveis do Egito gostavam de ter uma escrava síria ou cretense em seus haréns. È
39 AMIANO MARCELINO. Livro XXII, parágrafo 16 (23). È
40 Bandos de piratas que usavam pequenas embarcações chamadas Camare. È
41 AMIANO MARCELINO. Livro XXIII, parágrafo 8 (24). È
42 VOLNEY, M. C. F. Voyages en Syrie et en Egypte. Paris, 1787. v. I, pp. 74-7. È
43 CHAMPOLION-FIGEAC, J. J. 1839. pp. 26-7. È
44 Essa importante descoberta foi realizada, do lado africano, por Sossou Nsougan, que deveria compilar esta parte do capítulo. Para o sentido da palavra, ver Wörterbuch der Aegyptischen Sprach. Berlin, 1971. v. 5, pp. 122, 127. È
45 Wörterbuch…, p. 122. È
46 Ibid., p. 128. È
47 FAULKNER, R. O. 1962, p. 286. È
48 Wörterbuch…, p. 128. È
49 Ibid., p. 124. È
50 Ibid., p. 125. È
51 Ibid., p. 123. È
52 Note-se que set = kem = esposa negra em walaf. Wörterbuch…, p. 492. È
53 Wörterbuch…, p. 493. È
54 Desrêt = sangue, em egípcio; deret = sangue, em walaf. Ibid., p. 494. È
55 Gênesis, 10: 6-7. È
56 DIOP, C. A., 1955, pp. 33 et seqs. È
57 MASSOULARD, E. 1949, p. 386. È
58 JUVENAL. Sátiras, XV, v. 1-14. È
59 AMÉLINEAU, E. Op. cit. È
60 REINACH, A. 1913, p. 17. È
61 Grafa-se, freqüentemente, wolof. È
62 DIOP, C. A. 1977 (a). È
63 LAMBERT, R. 1925, p. 129. È
64 MALON, A. pp. 207-34. È
65 BUCK, A. de. 1952. È
66 Id. È
67 MALLON, A. pp. 207-34. È
68 Por extensão, = amar intensamente (de onde o verbo mar-maral), tal como a fêmea que lambe o filhote que ela acabou de parir. Esse sentido não se opõe à idéia de um homem levando a mão à boca, que pode ser evocada pelo determinativo. È
69 Veja, em seguida, a explicação dessa importante lei. È
70 Ver DIOP, C. A. 1967. È70 Ver DIOP, C. A. 1967. È
71 Ver UNESCO. Relatório Final da Primeira Sessão Plenária do Comitê Científico Internacional para redação de uma História Geral da África. 30 mar./8 abr. 1974. È
72 Simpósio sobre “O povoamento do Antigo Egito e a decifração da escrita meroítica”. Cf. UNESCO. Studies and Documents, I, 1978. È
73 Nota do coordenador: As opiniões expressas pelo Professor Cheik Anta Diop neste capítulo são as mesmas que ele apresentou e desenvolveu no simpósio da Unesco sobre “O povoamento do Antigo Egito”, realizado no Cairo, em 1974. Um sumário dos resultados desse simpósio se encontram no final do capítulo. Os argumentos apresentados neste capítulo não foram aceitos por todos os especialistas interessados no problema (Cf. Introdução, acima). Gamal Makhtar.

Publicado em 5 de julho de 2011, em LEITURA OBRIGATÓRIA e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Puro afro-centrismo esse post…

    • 35,000-30,000 anos atrás: “Mais antigo esqueleto humano encontrado no Egito”. Nazlet Khater homem era o mais antigo esqueleto humano moderno encontrado perto de Luxor, em 1980. Os restos mortais foram datados de entre 35 mil e 30 mil anos atrás. O relatório sobre a afinidade racial deste esqueleto conclui: “prognatismo alveolar forte combinada com a fossa praenasalis num crânio Africano é sugestivo de morfologia negróide [Forma e estrutura] O índice de rádio-umeral de Nazlet Khater é praticamente o mesmo que a média de. Taforalt (76,6). Segundo Ferembach (1965), este valor é próximo à média negróide “. O enterro era de um jovem de 17-20 anos de idade, cujo esqueleto estava em uma vala estreita 160 centímetros de comprimento alinhado de leste a oeste. A ferramenta de pedra, que foi colocado cuidadosamente na parte inferior da sepultura, data do enterro como contemporâneo com uma pedreira de pedra nas proximidades. As características morfológicas do esqueleto Khater Nazlet foram analisados ​​por Thoma (1984). O esqueleto de 35.000 anos de idade foi examinada usando procedimentos estatísticos multivariados. Na primeira parte, a análise de componentes principais é realizada em um conjunto de dados de dimensões mandibulares de 220 ​​fósseis, sub-fósseis e amostras modernas, variando no tempo a partir do final do Pleistoceno a recente e restrito no espaço para o continente Africano e Sul Levant.
      Thoma A., Morfologia e Afinidades da Khater Man Nazlet; Journal of Human Evolution, vol. 13, 1984.

    • Nazlet Khater cai mais perto das amostras do Paleolítico Nubian tardias. . . Se um relacionamento descendente ancestral existiu entre Nazlet Khater e do falecido Paleolítico Nubian espécimes, então a continuidade regionais persistiram entre os Upper / Final do Pleistoceno populações da região do Alto Nilo. O Khater espécime Nazlet faz parte de uma população relíquia que é descendente de um estoque maior sub-saariana, que se estendeu para o norte até o dia presente Alto Egito em algum momento durante o último período interglacial, ou o início do último período glacial. Em tal cenário, o Khater Nazlet pertence a uma população relíquia que reteve algumas das características morfológicas [forma e estrutura] que estavam presentes entre as populações da Idade Média de pedra, mas não está mais presente em outras populações sub-saariana e no Norte Africano contemporâneos.
      A posição do espécime Khater Nazlet entre populações africanas e levantina pré-históricos e modernos, Ron Pinhasi, Departent de Antropologia Biológica, da Universidade de Cambridge, Reino Unido, Patrick Semal, Instituto Belga de Ciências Naturais, na Bélgica; Journal of Human Evolution (2000) vol. 39, 269-288.

  2. Legal, agora só falta explicar pq o DNA deles era Europeu.

    • NARMER II HOTEP – 17/08/2012
      A chegada do homem branco, portanto, marcou o início do fim das civilizações antigas em preto e o começo da ascensão do homem branco ao poder. A palavra branca pode ter se originado a partir do Cáucaso, região montanhosa, onde esses bárbaros foram isoladas.
      O Shah-Nama, o Zend Avesta e de outras fontes que se refere às pessoas brancas que foram isoladas nas montanhas da Ásia Ocidental, como “demônios” ou “demônios”. Zaratustra também escreveu longamente sobre o que testemunhou como a obrigação de empreender guerra contra os invasores brancos a quem ele também conhecidos como demônios.
      Algumas das primeiras evidências disponíveis podem ser encontradas nos registros dos antigos egípcios que se refere ao diabo ou Satanás por vários nomes como Seth, Typhon e Apopis, quais foram os termos mais comuns usados. Ao longo dos escritos dos antigos egípcios, a raça branca era conhecido como o “povo de Seth” ou “Typhonians,” (“demônios”). O sacerdote egípcioManetho em diversas ocasiões, também se referiu às pessoas brancas como “Typhonians.”
      Diodoro também falou de uma seção de estrangeiros que foram expulsos do Egito, descrevendo-os como “homens, a cor do Typhon”.
      GA Wainwright em seu livro “The Sky Religião no Egito”, escreveu sobre a descoberta de fragmentos de um texto egípcio antigo em que o Typhonians ou seguidores de Seth foram referidos. “Entre outras coisas, mostra que tão tarde quanto a Dinastia XIX uma seção dos egípcios eram conhecidos como” Os seguidores de Seth “, Typhonians, por determinadas marcas e características. De tal, é dito: “O Deus nele é Seth ‘… Outra frase danificado se refere ao” homem vermelho “e” seu cabelo. ”
      Essas “marcas e características” que separam as Typhonians ou demônios das pessoas originais pretas do Egito foram os seus cabelos ea cor rosada ou vermelha de sua pele. Os “homens vermelhos” ou Typhonians no Egito eram pessoas brancas que foram sacrificados pelo fogo para o bem do povo. ”
      Esses antigos registros confirmam que os antigos egípcios classificados como diabos as pessoas brancas, e indicam que em primeiro lugar, o povo conhecido como o Typhonians tinha a tez pálida ou corada, e em segundo lugar, as pessoas de pele clara eram frequentemente caçados e mortos “para o bem da as pessoas. ”
      Gostou?

      NARMER II HOTEP –

      Ao longo da história do antigo Egito, muitas batalhas foram travadas contra o homem branco que repetidamente atacou o Egito como a história mostra, sujeitando o seu povo das atrocidades mais humilhantes. Muitas vezes o povo do Egito, muitas vezes achou necessário para retaliar contra seus agressores, e por isso muitos dos textos antigos falam de períodos em que os egípcios originais arredondado para cima todas as pessoas brancas (Typhonians) que poderiam encontrar e quer cortado a cabeça ou os queimaram vivo.
      Na Seção 73, de “De Iside et Osiride”, Plutarco reconheceu o seguinte: “Porque em verdade, como registrou Manetho, eles usaram para queimar os homens que vivem a cinzas em Eileithyiapolis, chamando-os Typhonians, e eles usaram para espalhar e dispor de suas cinzas por joeira. ”
      Em relação a este mesmo problema, Diodoro escreveu: “antigamente os homens que estavam colorido semelhante a Typhon foram sacrificados pelos reis.”
      GA Wainwright descreveu este arredondamento para cima e matar o homem branco, os reis do antigo Egito, quando escreveu: “Embora no Novo Reino nos festivais de Hoeing da Terra Seth-os sacrifícios claramente tiveram suas cabeças cortadas, é igualmente claro que em outras ocasiões, o sacrifício tinha sido pelo fogo. ”
      No antigo Egito o “diabo” termo foi usado uma vez como um sinônimo para descrever o homem branco.
      Os edomitas eram outra raça de pessoas brancas que eram descendentes de Esaú, o albino, que a Bíblia descreve como tendo nascido corado (vermelho) e peludo. (Gen. 25:25).

    • Diodoro dedicou um capítulo inteiro de sua história do mundo, o Bibliotheke Historica, ou Biblioteca de História (Livro 3), às Kushites ["Aithiopians"] de Meroe. Aqui, ele repete a história de sua grande piedade, sua alta favor com os deuses, e acrescenta a lenda fascinante que eles foram os primeiros de todos os homens criados pelos deuses e foram os fundadores da civilização egípcia, inventou a escrita, e dada a sua egípcios religião e cultura. (3.3.2).

      “Agora, eles relatam que de todas as pessoas a Aithiopians [etíopes] foram os primeiros, e dizer que as provas disso são claros. Que eles não chegam como imigrantes, mas são os nativos do país e, portanto, com razão são chamados authochthonous é quase universalmente aceito. que aqueles que vivem no Sul são susceptíveis de ser o primeiro engendrada pela terra é evidente para todos. Porque, como era o calor do sol que secou a terra enquanto ainda estava úmido, no momento em que tudo veio em ser, e causou vida, eles dizem que é provável que era a região mais próxima ao sol que deu primeiro seres animados “.
      [ 160 mil anos de idade crânios fossilizados descobertos na Etiópia são mais antigos humanos anatomicamente modernos .]

  3. Luiz Carlos de A Ferrira

    o professor Diop ainda realiza estes estudos, qual seu endreço virtual.

  4. por que brancos se pintariam de negros ? e usando trancinhas bem os antigos egipcios eram italianos que chegaram na africa no passado por isto o dna era europeu kkkkkkkkkk

  5. O que não está claro e tem diferença é sobre o povão do ANTIGO Egito e da Realeza do Antigo Egito. Pois ainda que haja traços negroides no povo do Antigo Egito, há estudos que contrariam esta visão dizendo que a Realeza Egípcia é de ascendencia caucasiana, mostrando testes de DNA, que mostram eles com cabelos aruivados e loiros, e artes que mostram faraós representados de olhos azuis… Porque um faraó de origem negra iria querer ser representado com olho azul em uma escultura?

    Acho que isto tem que ser esclarecido, pois este é o ponto que difere as duas defesas antagonicas sobre o povo egípcia. O que ocorre é que uma delas, só enfatiza a origem do povão de modo geral, o povo do egito antigo está suscetível a misturas com outras raízes genéticas, mas a realeza sempre se preserva…. a realeza mostra a sua origem com seus traços, por isso ocorria o casamento entre pessoas da mesma família, para preservar o sangue que determina a realeza hereditária….

    Isso tem que ser esclarecido, estou confusa com isso.
    Independente dos resultados.

    • O “loiro” e “ruivo” das múmias é revelado!
      Durante anos, Egiptologia vem lutando uma batalha perdida para agarrar um antigo Egito que é branca ou, na pior das hipóteses, bronzeado caucasiana.
      Na conferência de 1974 da UNESCO Egiptologia sofreu um golpe fatal. Dois estudiosos africanos limpou o chão com 18 renomados egiptólogos. Eles provaram em 11 categorias diferentes de evidências de que os antigos egípcios eram africanos (Preto). Seguinte ao espancamento, Egiptologia foi de joelhos orando para ser salvo pela ciência. Sua última luz de esperança foi o cabelo em múmias egípcias.
      As múmias em exposição em museus do mundo exibem caucasóide aparência do cabelo, alguns dos que marrom e loiro.Estes incluem múmias do faraó Seqenenre Tao da dinastia 17 e 19 da dinastia de Ramsés II. Como um estudioso colocou: “A cor de cabelo mais comum, então como agora, era um castanho muito escuro, cor quase negra apesar de natural e até mesmo cabelo ruivo surpreendentemente loira também estão a ser encontrado.”
      Muitos estudiosos Preto tente habilmente para evitar o problema do cabelo. Isso é um erro!
      Em 1914, um médico branco em Detroit iniciado processo de divórcio contra sua esposa, a quem ele suspeitava de ser um “armário Negro”. No julgamento, o antropólogo da Universidade de Columbia, professor Franz Boas (1858-1942), foi chamado como um especialista em corrida. Boas declarou: “Se esta mulher tem nenhuma das características da raça negra seria fácil encontrá-los … uma característica que é considerado como confiável é o cabelo que você pode dizer pelo exame microscópico de uma secção transversal de cabelo. para a raça que a pessoa pertence. ”
      Com essa revelação, tricologia (a análise científica de cabelo) atingiu o público americano. Mas o que são essas diferenças?

      A secção transversal de um fio de cabelo é medido com um instrumento chamado trichometer. A partir deste pode obter medições do diâmetro mínimo e máximo de um fio de cabelo A medida mínima é então dividido pelo número máximo e depois multiplicado por cem. Isto produz um índice. Uma pesquisa da literatura científica produz a seguinte composição:

      NARMER II HOTEP – 22/10/2012
      San, Sul Africano 55,00
      Zulu, Sul Africano 55,00
      África sub-saariana 60,00
      Tasmânia (Preto) 64,70
      Australiano (Preto) 68,00
      Europa Ocidental 71,20
      Asian Indian 73,00
      Navajo americana 77,00
      Chinês 82,60

      NARMER II HOTEP – 22/10/2012
      No início dos anos 1970, o antropólogo Checa Eugen Strouhal examinou crânios pré-dinásticos do Egito na Universidade de Cambridge. Ele enviou algumas amostras do cabelo para o Instituto de Antropologia da Universidade Charles, em Praga, a ser analisado. As amostras de cabelo foram descritos como variando de textura de “ondulado” para “encaracolado” e na cor de “castanho claro” para “negro”. Strouhal resumidos os resultados da análise:

      “O contorno das secções transversais dos fios de cabelos foi achatada, com índices que variam de 35 a 65. Estas peculiaridades também mostram a inferência negróide entre os Badarians (pré-dinástico egípcios). ”

      A “influência negróide” termo sugere mistura, mas como a tabela sugere este cabelo é mais “negróides” do que o San e as amostras Zulu, atualmente o cabelo mais negróide na existência!

      Em outro estudo, amostras de cabelo de 10 indivíduos 18a-25a dinastia produziu um índice médio de 51! Já em 1877, o Dr. Pruner-Bey analisadas seis amostras de cabelo antigos egípcios. O índice médio de 64,4 foi semelhante aos tasmanianos que se encontram na periferia das populações Africano de pêlo (1).

      Uma equipe de antropólogos italianos publicaram sua pesquisa no Journal of Human Evolution em 1972 e 1980. Eles mediram duas amostras de 26 indivíduos do pré-dinástico dinastia, 12 e 18 múmias da dinastia. Eles produziram um índice médio de 66,50.

      A média geral de todos os quatro conjuntos de amostras de cabelo antigos egípcios era 60,02. Soa familiar. . ., Basta verificar a tabela!

      Como a análise microscópica mostra cabelo egípcia para ser completamente Africano, por que o olhar do cabelo caucasóide? Pesquisa nos deu as respostas.

      O cabelo é feito de proteína de queratina. A queratina é composto de cadeias de aminoácidos chamados polipeptidos. Numa cabelo, duas cadeias são denominadas cadeias cruzadas polipeptídeos. Estas são mantidas juntas por ligações dissulfureto. A maior parte do cabelo, a fonte da sua força e ondulação, é chamado o córtex. Os fios de cabelo são feitas de uma camada protectora externa chamada de cutícula.

      Somos informados por cabelo afro – Um Livro Salon, que os produtos químicos para branqueamento, escrevendo e alisar o cabelo deve atingir o córtex para ser eficaz. Para cabelos com permanente ou ser endireitado as pontes de sulfeto na córtex deve ser quebrado. O antropólogo escrita Daniel Hardy no American Journal of Physical Anthropology, nos diz que a queratina é devido estável para pontes de dissulfeto. No entanto, quando o cabelo é exposto a condições severas, pode levar a oxidação de moléculas de proteína no córtex, o que leva à alteração da textura do cabelo, tais como alisamento.

      Dois antropólogos britânicos, Brothwell e Spearman, encontraram evidências de córtex oxidação queratina nos cabelos egípcia antiga. Eles mantiveram que o processo de mumificação foi responsável, por causa da forte substância alcalina utilizada. Isto resultou em o amarelecimento e escurecimento do cabelo, bem como o efeito de alisamento.

      Isto significa que a aparência visual do cabelo em múmias não consegue disfarçar suas afinidades raciais. A presença de cabelo loiro e marrom em antigas múmias egípcias não tem nada a ver com a sua identidade racial, e tudo a ver com a mumificação ea passagem do tempo. Como os estudos têm mostrado, quando você coloca a evidência sob um microscópio a verdade vem à tona. No último, orações Egiptologia foram respondidas. Ele foi colocado para fora de sua miséria.

      Sua lápide lê Egiptologia, RIP Junho de 2001.

    • VÁ estudar melhor ! a raça caucasiana (cro-magnom ) surgiu na Europa somente ha 20 mil anos a.c. enquanto os grimaldianos negróides a mais de 80 mil
      e a civilização EGÍPCIA (khemita) é mais de 60 mil (contrariando oque a maioria de teólogos e cientistas preocupados em rejuvenescer e mentir ! Vamos as FATOS:

      A descoberta do carbono 14
      E quando? Haja problemas;para resolve-lo a favor dos Brancos teria que rejuvenescer a todo custo as datas,e assim falam por volta de 2000.a.C.,com apoio de H.kuhun e Martínez Santaoalla;mais tais arbitrariedades foram derrubadas,quando foi descoberto o método do carbono 14.O megalítico ibérico é contemporâneo daquele do Khemet (Egito) pré-dinástico,os brancos não tiveram nada a ver com ele a não ser para destruí-lo quando chegaram como Bárbaros.

  6. Pirâmides: algumas construções incríveis
    No Khemeth existem muitas pirâmides, umas 80, porem a mais conhecida é a de Quéops,por seu colossal ismo e pelas infinitas especulações que foram feitas por seu suposto sentido esotérico e pelo mistério que entranha a tecnologia de sua edificação.E,no entanto,talvez o mais importante dela seja a sua não averiguada antiguidade,porque para dizer a verdade, a cronologia “oficial” da história khemitha de que hoje dispomos,proposta por Eduard Meyer ,não é mais do que uma adaptação da Egipcíaca,de Menethon,redigida no século III a.c. quando já fazia centenas de anos que havia desaparecido o período Pré-helenístico .Por isso devemos prestar a atenção as críticas que contra as tabuas de Menethon-Meyer avançam repetidamente F. Patrie e Soto Halle,segundo os quais,e com dados a mão ,o templo de Mênfis dataria de 7.00a.c. e não do 2.780 a.c. Se Patrie e Soto Halle tem razão,resultaria que as grandes pirâmides,edificadas sob a IV dinastia,seriam do 6600,6700 a.C. e não do 2600 a.c.,como comuna mente costuma ser afirmado em obséquio a opinião de Meyer.
    Dados reportados por Platão
    Existe outra circunstância a ressaltar: não se entende bem porque os egiptólogos seguidores da escola de Berlim concedem confiança a Menethon e fazem caso omisso dos dados temporais que Platão, que viveu século e meio antes que aquele atribui em sua obra “Critias”. Nesta é contado como Sólon(arconte de Atenas,que viveu de 640 a 599 a.C. ,um dos sete sábios da Grécia),”encontrando-se no Khemeth (Egito),adiquiriu ali uma grande consideração.Interrogando sobre as antiguidades aos sacerdotes mais sábios nesta matéria,descobriu que nem ele mesmo e nem nenhum outro grego sabia nada sobre isso.Então um dos sacerdotes que era muito velho,disse:”Sólon,vós gregos são jovens quanto a alma,pois dela não tens opinião antiga que provenha de uma velha tradição,nem ciência encanecida pelo tempo .De nossas duas cidades(Sais no Khemeth e Atenas)a mais antiga é a vossa,e de mil anos…Desde que esse país esta civilizado transcorreram segundo nossos escritos oito mil anos…”

    Construções de 10.000 anos….
    Se nos 500 a.C ja haviam transcorrido 8.000 anos desde o inicio da civilização khemitha, teríamos que as pirâmides de Gizé seriam do 8.000 A.C. ,isto é, todavia mais velha do que sugere Patrie, o qual não é nada descabivel, pois da mesma época é a grande pirâmide do Shan-si, de 300 metros de dimensões todavia superiores á da Quéops, e da qual não falam “suspeitada mente”nunca os arqueólogos,seguramente preocupados de rejuvenescer a antiguidade das civilizações que não tenham nenhum sangue branco.E, no entanto pode ser também que Platão ficou um pouco perdido,pois se os famosos mapas de Piri Reis ,cópia dos antigos mapas seguramente khemithas (egípcios) dão um planisfério terrestre de 10.000 anos a.C. é muito provável que tenha que remontara idade das grandes pirâmides a datas todavia mais remotas, posto que a IV dinastia é muito precoce,até na cronologia de Meyer.
    MAIS PROVÀVEL… De 30.000
    De todos os modos, bem poderia ser que Menathon, e com ele Meyer e seguidores, que se empenhou em demonstrar que a pirâmide de Quéops, com argumentos astronômicos, é dos 2.580 a.C. simplesmente se equivocaram em suas deduções, em um zero! Eis aqui por que: Foi observado que a estrela polar descreve uma orbita completa de 26.000 anos de duração, pelo que no ano 2.580 A.C. esteve perpendicular ao eixo do corredor da principal da tumba. Disso foi deduzido que estava claro que a data de estréia da pirâmide deveria ser fixada neste ano, pois a cronologia de Menathon situa a IV dinastia entre o 2.723 e o 2.563 A.C. A relação entre o eixo do corredor da pirâmide e a posição da estrela polar está obtida um pouco pelas deduções, porem suponhamos que seja certa . O que acontece se ao invés do ano 2.580 A.C. suponhamos que a data de estréia foi 26.000 anos antes,isto é, quando outra vez a estrela polar se encontrava na mesma posição? Simplesmente que a pirâmide de Quéops é do 28.580 A.C. . NADA, absolutamente NADA, nos autoriza a descartar esta segunda possibilidade.
    No caso do Egito,cuja iniciação inspirou os maiores hebreus, gregos e romanos, podemos remontá-los a mais de dez mil anos,o que mostra o quanto são falsas as cronologias clássicas.
    Eis as provas disso:
    “trata-se do Egito”?
    Platão, iniciado nesses mistérios, nos diz que dez mil anos antes de menos existiu uma civilização completa, da qual ele tinha provas reais.
    Heródoto insiste em afirmar a mesma coisa, acrescentando ainda quando se trata de Osíris (deus da antiga aliança universal), que seus lábios não nos podem relevar mais porque estão selados por juramentos.
    Diodoro inutilmente nos assegurou que sacerdotes egípcios tinham as provas de que, muitos antes de NARMER, havia ali uma civilização completa, que durou até Horus, 18 mil anos.
    Maneton, sacerdote egípcio, faz-nos uma cronologia meticulosa, transportando-nos a 6 883 anos antes.
    Ainda inutilmente ele nos disse que antes daquele vice rei indiano conhecido, imensos ciclos de civilização se sucederam na terra e no próprio Egito.
    “Todos esses augustos testemunhos, aos quais acrescentamos os de Beroso e todas as bibliotecas da India, do Tibete e da China, são considerados nulos pelos deploráveis espíritos sectário e obscurantista que se esconde sob a máscara da teologia” (Saint-Yves d’Alveydre).

  7. NARMER II HOTEP

    Beroso,sacerdote Caldeus que viveu dos séculos IIV a III a.C. cujo o nome babilônico foi BEL-Usur ,foi um homem de excepcional objetividade,e graças a ele e seu profundo conhecimento de história o mudo helênico primeiro,e agora a ciência histórica,dispuseram e dispõe de notícias seguras,confirmadas pelos mais recentes achados arqueológicos e textos cuneiformes,acerca da antiguidade das civilizações.
    A obra mais importante de Bel Usur foi escrita em grego e era titulada “BABYLONIAKÀ”; constatava de três livros publicados nos 210 a.C. e dos quais são conservados somente fragmentos. O primeiro livro estava dedicado a uma descrição da Babilônia, da origem de sua civilização e de sua ciência astrológica que desde sempre possuíram ou herdaram da pré-história os povos mesopotâmicos, fundamento da posterior astrologia Caldéia .Nos segundo e terceiro Bel Usur tratou da cronologia e da historia da babilônia,e aqui as datas atribuídas a primeira instância,despertaram um ceticismo unânime e radicalizado nos especialistas,porque resultava o seguinte?
    A)que antes do dilúvio reinaram 10 dinastias;
    B)que depois do dilúvio reinaram 13 dinastias,até a conquista persa,por um período de 32.000 anos.
    DANDO-se por reais os dados de Bel Usur,calculando por baixo,o período de tempo das 10 dinastias antediluvianas em uns 15 mil anos,a história da civilização Mesopotâmica deveria ser considerada remontando-se para o ano 50.000 a.C.
    UMA CIVILIZAÇÃO COM 50.000 ANOS?
    Demasiando tempo e lendas, foi concluído, como no caso de KHEMETH (Egito para os gregos) com relação a historia de sua civilização anterior á primeira dinastia menfítica. Mas os especialistas ( europeus,askenazis e brancos em geral),tanto no caso de KHEMETH como no da mesopotâmia,se equivocaram rotundamente ,pois os posteriores achados deste século confirmam que Bel Usur sabia o que dizia ,e que no de KHEMETH ,antes da primeira dinastia em Mênfis ,ouve uma civilização negro-africana adiantadíssima,e que também se remontaria a uns 50-60.000 anos a.C.
    Falando da época anterior ao dilúvio, Bel Usur disse que ‘’a realeza baixou dos céus Às cidades de Eridú e Badtibira-ki(oficina metalúrgica, literalmente)’’ nelas,como Larak e Sippar,que desapareceram com conseqüência do dilúvio,reinaram personagens muito famosos para posterior mitologia religiosa:Na,Enlil,Ea,Marduk,Damuzid,Zu-em,Ud,Ianna,Nergal,Iskur,Ninurda…e Xisutro , o rei que com sua “arca” salvou-se da catástrofe meteorológica ,cujo a memória Moises consignou na Bíblia chamando Xisutro com o Nome de Noé.
    Os babilônios posteriores ao dilúvio chamavam a parte meridional da Mesopotâmia “pais dos sumérios”,e aos sumérios lhes davam o nome de” Kiengira “.

  8. Os Antigos egípcios eram negro a questão é que vivemos em uma sociedade tão preconceituosa que não aceita o fato de que negros a seculos atras tiveram a capacidade de desenvolver matemática, musica, ciência entre outros que estavam a anos luz a frente de muitos brancos. Isso é demais para sociedade podre, basta olhar a arte egípcia os seus desenhos representavam em sua maioria povos negros, tais como faraós e suas mulheres de tranças!! Parem de ser hipócritas e ridículos e aceitem a realidade. Nós nao somos serem inferiores como disse Nina Rodrigues e outros

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